sexta-feira, 5 de junho de 2009

Tendência de horizontalização x Verticalização

Visando agilizar as informações e facilitar a tomada de decisões no ambiente cada vez mais incerto em que estão inseridas, as empresas têm seguido uma tendência de horizontalização de suas cadeias produtivas, atividade em que muitos produtos até então produzidos por determinada empresa do fim da cadeia passam a ser produzidos por outras empresas, ampliando o número de fontes de suprimento e dificultando a administração desse exército de fornecedores. Todo o ideário do management atual diz que as organizações devem focar seus esforços em competências centrais, terceirizando o que não está atrelado diretamente ao negócio. Apesar disso, o que se pode presenciar atualmente são casos que fogem às tendências atuais da administração, mostrando que a estrutura organizacional não deve seguir padrões externos, mas sim estar totalmente atrelada à própria estratégia que a organização adota. A seguir serão mostrados dois casos de sucesso de empresas que demonstram que não existe uma única melhor forma de organizar um negócio; o critério para determinar se uma estrutura é apropriada para uma organização deve ser baseado na extensão em que esta estrutura facilite o alcance dos objetivos da empresa.


HABIB´S

A maior rede de fast-food nacional vem apresentando em seus 21 anos de existência números que impressionam: em 2004 foram comercializadas 650 milhões de esfihas para um total de 120 milhões de clientes que foram atendidos por meio do esforço de mais de 12.000 funcionários diretos. Trata-se de um autêntico representante nacional das estratégias denominadas “low fare, low cost”, ou LCT (Liderança Total em Custos), definida por Michael Porter como a situação em que a empresa faz grande esforço para reduzir ao máximo seus custos de produção e distribuição podendo, assim, oferecer preços menores que seus concorrentes e obter maior participação de mercado. Essa estratégia fez com que o foco na gestão dos custos da organização fosse considerado indispensável, adotando-se assim a verticalização de boa parte de sua cadeia produtiva. Segundo Alberto Saraiva, executivo da rede de fast food, “a estratégia sempre esteve aliada ao trinômio de preços baixos, variedade e alta performance em qualidade. (...) Quem quer ser líder de mercado em algum setor tem de verticalizar (...) porque é a melhor maneira de conseguir preço baixo com boa qualidade” (HSM Management, maio/junho 2004). Como resultado desta estratégia, hoje o Habib’s é proprietário de nove centrais de manipulação e dis­tribuição dos itens do cardápio, nas principais regi­ões do país. Possui, ainda, Padaria industrial (Arabian Bread), Sorvetes (Ice Lip’s e Portofino), Laticínios (Promilat), Contact Center (VOXLINE), Propaganda e Marketing (PPM), Engenharia e Projetos (Vector 7), Franquia (Franconsult), Consultoria Imobiliária (Pla­nej) e uma estrutura de apoio às lojas, composta pe­los departamentos de recursos humanos, controle de qualidade, controle operacional, implantação de lojas, planejamento mercadológico e sistemas, captação de pontos, franquia e comunicação corporativa.

Além da gestão dos custos, essa estrutura permite viabilizar outro elemento indispensável para as em­presas que adotam a estratégia “low fare, low cost”: a padronização dos processos e da linha de produtos, que permite que os clientes assegurem os mesmos padrões de qualidade nos produtos da rede, independente de onde estejam.

UNIMED

A Unimed é uma organização formada por 378 cooperativas de trabalho médico. A Unimed detém 30% de um mercado de R$ 40 bilhões, associa perto de um terço dos médicos do país (101 mil) e 13 milhões de clientes em 80% do território nacional. É a maior cooperativa médica do mundo, considerada exemplo de sucesso para países como Japão, Malásia, Espanha e Suécia. Hoje a organização enfrenta o desafio de se manter na liderança e implantar novas idéias que tragam vantagens competitivas para todo o Sistema.

A Unimed decidiu investir na verticalização de sua cadeia de produção ao perceber devido à tendência de mercado na qual as redes de recursos próprios serão fator de alta diferenciação para as operadoras de planos de saúde, tornando-se muito complicado para uma operadora de grande porte conseguir sobreviver sem a verticalização. Segundo executivos da cooperativa, a verticalização promove a redução de custos sem alterar a qualidade do serviço. Tome-se de exemplo a Unimed de Araras que obteve grandes resultados econômicos após trazer para dentro do hospital o setor de quimioterapia. Em apenas quatro meses de funcionamento, a quimioterapia lhes possibilitou uma economia de R$ 311 mil, devido aos preços externos considerados abusivos, extorsivos.

Pontos Positivos sob o ponto de vista das Unimeds

- Domínio sobre os custos

- Controle e monitoramento de qualidade

- Maior previsibilidade no risco

- Tratamento direto de pacientes de alto-custo

- Números mais competitivos

- Gerar mercado de trabalho para os médicos cooperados

Pontos Negativos

- Conflito de interesse

- Capital disponível sempre em alta

- Imobilização de investimentos

- Restrição geográfica

- Capilaridade



Um comentário:

  1. Acho que essa atitude é equivocada pois como a área da saúde é muito complexa os investimentos para recursos próprios são muito altos com isso a cooperativa perde um poco o foco de remunerar melhor o cooperado. A centralização e independência de uma empresa está ficando cada vez mais difícil, a tendência mundial e de fusões e parcerias, a atitude adotada acho desatualizada e muito cara, pois o mercado tecnológico na saúde é muito amplo. Os investimento de prioridade da Unimed deveriam ser focados mais na prevenção, muito mais baratos, e não na criação de complexos de alto custo, isso está provado, exemplo os EUA, o investimento em alta complexidade não reflete necessariamente em melhor qualidade de saúde, quem acaba pagando essa enorme conta são os médicos e usuários.

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